3 ago 2026
Saude da Mulher
Endometriose: sintomas, causas, diagnóstico e tratamento completo em 2026
Endometriose: o guia mais completo sobre sintomas, diagnóstico e tratamento
A endometriose é uma das doenças ginecológicas mais comuns do mundo e, ao mesmo tempo, uma das mais difíceis de ser diagnosticada. Estima-se que cerca de 1 em cada 10 mulheres em idade reprodutiva conviva com a doença, muitas vezes durante anos sem receber o diagnóstico correto.
Embora seja frequentemente associada apenas à cólica menstrual intensa, a endometriose pode causar diversos sintomas que afetam significativamente a qualidade de vida, incluindo dores pélvicas crônicas, dor durante as relações sexuais, alterações intestinais, problemas urinários e dificuldade para engravidar.
O maior problema é que muitas mulheres acreditam que sentir dor intensa durante a menstruação é algo “normal”. Não é.
Neste artigo você vai entender exatamente o que é a endometriose, como ela surge, quais são os principais sintomas, como é feito o diagnóstico e quais tratamentos apresentam os melhores resultados atualmente.
O que é a endometriose?
A endometriose é uma doença inflamatória crônica caracterizada pelo crescimento de tecido semelhante ao endométrio fora da cavidade do útero.
O endométrio é a camada interna do útero responsável por receber o embrião durante uma gestação. Todos os meses esse tecido cresce e, caso não ocorra gravidez, é eliminado durante a menstruação.
Na endometriose, células semelhantes ao endométrio passam a crescer em locais onde não deveriam estar.
Esses focos podem aparecer em diversos órgãos, como:
- Ovários
- Trompas
- Ligamentos do útero
- Peritônio
- Intestino
- Bexiga
- Diafragma
- Apêndice
- Ureteres
- Região pélvica
Em situações mais raras, também podem surgir em pulmões, cicatrizes cirúrgicas e outros locais do organismo.
Mesmo estando fora do útero, esse tecido continua respondendo aos hormônios do ciclo menstrual, provocando inflamação, pequenos sangramentos e formação de aderências.
É justamente esse processo inflamatório contínuo que provoca a maior parte dos sintomas.
Como a endometriose surge?
Ainda não existe uma única explicação para o desenvolvimento da doença.
Hoje acredita-se que vários fatores atuem juntos.
Entre as principais teorias estão:
Menstruação retrógrada
Durante a menstruação, parte do sangue pode retornar pelas trompas em direção à cavidade abdominal.
Esse material contém células endometriais que podem se implantar em outros órgãos.
Embora isso aconteça em muitas mulheres, apenas algumas desenvolvem a doença, indicando que outros fatores também participam do processo.
Alterações imunológicas
O sistema imunológico normalmente elimina células que estão em locais inadequados.
Na endometriose, acredita-se que exista uma falha nesse mecanismo, permitindo que essas células sobrevivam e continuem crescendo.
Predisposição genética
Mulheres que possuem mãe, irmã ou filha com endometriose apresentam um risco significativamente maior.
Diversos genes relacionados ao processo inflamatório parecem aumentar a predisposição.
Influência hormonal
O estrogênio exerce papel fundamental na progressão da doença.
Quanto maior o estímulo estrogênico, maior tende a ser o crescimento dos focos de endometriose.
É justamente por isso que muitos tratamentos procuram reduzir a ação desse hormônio.
Quais são os sintomas da endometriose?
Os sintomas variam bastante.
Algumas mulheres apresentam lesões extensas e pouca dor.
Outras possuem poucos focos, mas convivem com dores incapacitantes.
Os sintomas mais comuns incluem:
Cólica menstrual intensa
Esse é o sintoma clássico.
A dor costuma:
- piorar progressivamente ao longo dos anos;
- não melhorar com analgésicos comuns;
- impedir atividades diárias;
- provocar faltas ao trabalho ou à escola.
Muitas pacientes relatam precisar permanecer deitadas durante os primeiros dias da menstruação.
Dor pélvica crônica
A dor pode permanecer mesmo fora do período menstrual.
Em algumas mulheres ela ocorre praticamente todos os dias.
Dor durante a relação sexual
A chamada dispareunia profunda é bastante frequente.
Geralmente ocorre durante relações com penetração profunda e pode persistir após o ato sexual.
Dor para evacuar durante a menstruação
Quando há comprometimento intestinal, é comum surgir:
- dor intensa ao evacuar;
- sensação de pressão no reto;
- cólicas intestinais;
- piora dos sintomas durante o período menstrual.
Alterações intestinais
Algumas pacientes apresentam sintomas semelhantes aos da síndrome do intestino irritável.
Entre eles:
- constipação;
- diarreia;
- gases;
- distensão abdominal;
- dor abdominal recorrente.
Alterações urinárias
Quando a doença acomete bexiga ou ureteres podem ocorrer:
- dor ao urinar;
- aumento da frequência urinária;
- sangue na urina durante a menstruação;
- desconforto pélvico.
Sangramento menstrual intenso
Embora não seja obrigatório, algumas mulheres apresentam fluxo aumentado e menstruações prolongadas.
Dificuldade para engravidar
A infertilidade é uma das complicações mais conhecidas.
Estima-se que aproximadamente 30% a 50% das mulheres com dificuldade para engravidar apresentem algum grau de endometriose.
Isso ocorre porque a doença pode alterar:
- funcionamento das trompas;
- qualidade dos óvulos;
- ambiente inflamatório da pelve;
- implantação embrionária.
Quando suspeitar de endometriose?
Procure avaliação com um ginecologista se você apresenta:
- cólicas incapacitantes;
- dor durante as relações sexuais;
- dor pélvica frequente;
- alterações intestinais que pioram na menstruação;
- dificuldade para engravidar;
- necessidade constante de analgésicos durante o período menstrual.
Quanto mais cedo ocorre o diagnóstico, maiores são as chances de controlar a doença e preservar a fertilidade.
A endometriose pode piorar com o tempo?
Sim.
Na ausência de tratamento, a doença pode evoluir progressivamente.
Os focos inflamatórios podem aumentar de tamanho e provocar:
- aderências entre órgãos;
- comprometimento intestinal;
- obstrução de ureteres;
- formação de endometriomas nos ovários;
- redução da fertilidade;
- dor crônica persistente.
Entretanto, a velocidade de progressão varia bastante entre as pacientes.
Algumas permanecem estáveis durante muitos anos, enquanto outras apresentam evolução relativamente rápida.
Quais são os tipos de endometriose?
A doença pode ser classificada conforme a profundidade das lesões.
Os principais tipos são:
Endometriose superficial
Afeta principalmente o peritônio.
Costuma apresentar lesões pequenas.
Endometrioma ovariano
Conhecido popularmente como “cisto de chocolate”, ocorre quando a doença acomete os ovários e forma cistos preenchidos por sangue antigo.
Esses cistos podem comprometer a reserva ovariana e reduzir a fertilidade.
Endometriose profunda
É considerada a forma mais grave.
As lesões infiltram profundamente os tecidos e podem atingir:
- intestino;
- bexiga;
- ureteres;
- vagina;
- ligamentos uterinos;
- nervos pélvicos.
Esses casos geralmente exigem avaliação especializada e, em algumas situações, tratamento cirúrgico.
Endometriose: sintomas, causas, diagnóstico e os tratamentos que realmente funcionam em 2026
Como é feito o diagnóstico da endometriose?
O diagnóstico da endometriose evoluiu bastante nos últimos anos. Antigamente, muitas mulheres só recebiam a confirmação da doença após uma cirurgia. Atualmente, com uma avaliação clínica cuidadosa e exames de imagem realizados por profissionais experientes, é possível diagnosticar grande parte dos casos sem necessidade de procedimento cirúrgico.
O primeiro passo é uma consulta detalhada com o ginecologista. O histórico dos sintomas costuma fornecer pistas importantes sobre a presença da doença.
Entre as informações que ajudam no diagnóstico estão:
- intensidade das cólicas menstruais;
- dor durante as relações sexuais;
- dor ao evacuar ou urinar durante a menstruação;
- alterações intestinais relacionadas ao ciclo menstrual;
- dificuldade para engravidar;
- histórico familiar de endometriose.
Após a conversa, o médico realiza o exame físico e define quais exames serão necessários.
Exame ginecológico
Durante o exame ginecológico, algumas alterações podem levantar a suspeita de endometriose.
O médico pode identificar:
- dor intensa à palpação;
- nódulos na região posterior do útero;
- redução da mobilidade uterina;
- espessamentos dos ligamentos uterinos;
- massas anexiais, como endometriomas.
É importante lembrar que um exame físico normal não exclui a doença.
Ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal
Hoje esse é considerado um dos principais exames para investigação da endometriose profunda.
O diferencial é que ele é realizado por profissionais treinados especificamente para pesquisar focos da doença.
O preparo intestinal melhora significativamente a visualização de estruturas como:
- intestino;
- reto;
- sigmoide;
- bexiga;
- ligamentos uterossacros.
Quando realizado por equipe experiente, apresenta elevada sensibilidade para identificar lesões profundas.
Ressonância magnética da pelve
A ressonância é outro exame extremamente importante.
Ela permite avaliar:
- profundidade das lesões;
- comprometimento intestinal;
- acometimento da bexiga;
- presença de endometriomas;
- infiltração de órgãos vizinhos.
É especialmente útil para o planejamento cirúrgico.
Em muitos casos, ultrassom especializado e ressonância são exames complementares.
Videolaparoscopia
Durante muitos anos foi considerada o padrão ouro para diagnóstico.
Hoje, ela não é indicada apenas para confirmar a doença.
A videolaparoscopia é reservada principalmente para pacientes que apresentam:
- dor intensa resistente ao tratamento;
- suspeita de doença profunda;
- infertilidade;
- necessidade de tratamento cirúrgico.
Durante a cirurgia, além de visualizar os focos de endometriose, o médico pode removê-los na mesma operação.
Exames de sangue detectam endometriose?
Essa é uma dúvida bastante comum.
Até o momento, não existe nenhum exame de sangue capaz de confirmar o diagnóstico.
Alguns marcadores, como o CA-125, podem estar elevados.
Entretanto:
- não são específicos;
- podem estar normais mesmo em casos avançados;
- também aumentam em outras doenças ginecológicas.
Por isso, esses exames não devem ser utilizados isoladamente para diagnóstico.
Quais são os tratamentos da endometriose?
O tratamento depende de vários fatores.
Entre eles:
- intensidade dos sintomas;
- idade da paciente;
- desejo de engravidar;
- localização das lesões;
- extensão da doença;
- resposta a tratamentos anteriores.
O objetivo principal é controlar a dor, reduzir a progressão da doença e preservar a fertilidade sempre que possível.
Tratamento medicamentoso
Em muitas pacientes, o tratamento clínico é suficiente para controlar os sintomas.
As principais opções incluem:
Anticoncepcionais hormonais
Podem ser utilizados continuamente para impedir a menstruação.
Isso reduz o estímulo hormonal sobre os focos de endometriose.
Podem ser administrados em forma de:
- comprimidos;
- adesivos;
- anel vaginal.
Progesterona
Medicamentos contendo apenas progesterona são amplamente utilizados.
Entre eles:
- dienogeste;
- desogestrel;
- acetato de medroxiprogesterona.
Esses medicamentos ajudam a reduzir:
- inflamação;
- crescimento das lesões;
- intensidade da dor.
DIU hormonal
O DIU liberador de levonorgestrel é uma excelente alternativa para algumas pacientes.
Entre seus benefícios estão:
- redução do fluxo menstrual;
- melhora da dor;
- menor exposição hormonal sistêmica;
- praticidade por vários anos.
Nem todas as pacientes apresentam melhora completa, mas muitas obtêm excelente controle dos sintomas.
Análogos do GnRH
São medicamentos que induzem uma menopausa temporária.
Eles reduzem drasticamente a produção de estrogênio.
Costumam ser indicados em situações específicas devido aos efeitos colaterais, como:
- ondas de calor;
- perda de massa óssea;
- ressecamento vaginal;
- alterações de humor.
Por esse motivo, geralmente são utilizados por tempo limitado e, muitas vezes, associados à terapia de reposição hormonal em baixas doses (“add-back therapy”) para minimizar esses efeitos.
Analgésicos e anti-inflamatórios
Podem aliviar os sintomas, principalmente durante as crises.
Entretanto, eles não tratam a doença nem impedem sua progressão.
Devem ser utilizados apenas como parte do tratamento, nunca como única estratégia em pacientes com sintomas persistentes.
Quando a cirurgia é indicada?
A cirurgia costuma ser considerada quando:
- a dor permanece intensa apesar do tratamento clínico;
- há comprometimento do intestino ou da bexiga;
- existe obstrução dos ureteres;
- há endometriomas ovarianos sintomáticos;
- a paciente apresenta infertilidade associada à doença;
- suspeita-se de lesões profundas que comprometem a qualidade de vida.
Atualmente, a maioria dos procedimentos é realizada por videolaparoscopia, uma técnica minimamente invasiva que costuma proporcionar menor dor pós-operatória, recuperação mais rápida e cicatrizes menores.
A cirurgia cura a endometriose?
Infelizmente, não existe cura definitiva.
Mesmo após uma cirurgia bem-sucedida, novos focos podem surgir ao longo dos anos.
Por isso, muitas pacientes continuam utilizando tratamento hormonal após a cirurgia para reduzir o risco de recorrência.
O acompanhamento periódico é fundamental.
Endometriose e infertilidade
A relação entre endometriose e infertilidade é complexa.
A doença pode dificultar a gravidez por diversos mecanismos:
- aderências que alteram a anatomia da pelve;
- obstrução das trompas;
- inflamação crônica;
- redução da qualidade dos óvulos;
- alterações na implantação do embrião.
Apesar disso, muitas mulheres com endometriose conseguem engravidar naturalmente, especialmente quando a doença é leve.
Nos casos de infertilidade, tratamentos de reprodução assistida, como a fertilização in vitro (FIV), podem oferecer excelentes taxas de sucesso.
Mudanças no estilo de vida ajudam?
Embora não substituam o tratamento médico, algumas medidas podem contribuir para o controle dos sintomas.
Entre elas:
- prática regular de atividade física;
- alimentação equilibrada, rica em frutas, verduras, legumes e alimentos anti-inflamatórios;
- manutenção do peso adequado;
- sono de qualidade;
- redução do estresse;
- cessação do tabagismo.
Essas medidas podem reduzir a inflamação sistêmica e melhorar a qualidade de vida.
Quem tem endometriose pode engravidar?
Sim.
A endometriose não significa infertilidade obrigatória.
Muitas mulheres engravidam espontaneamente.
Entretanto, quando a gravidez não ocorre após um período adequado de tentativas, é importante procurar avaliação especializada para definir a melhor estratégia de tratamento.
Endometriose: sintomas, causas, diagnóstico e os tratamentos que realmente funcionam em 2026
O que é a endometriose intestinal?
A endometriose intestinal é uma das formas mais frequentes da endometriose profunda. Nela, o tecido semelhante ao endométrio infiltra a parede do intestino, principalmente o reto e o sigmoide.
Estima-se que entre 5% e 12% das mulheres com endometriose apresentem comprometimento intestinal, embora a frequência varie conforme o perfil das pacientes avaliadas.
Os sintomas costumam piorar durante o período menstrual e incluem:
- dor intensa ao evacuar;
- constipação;
- diarreia;
- sensação de evacuação incompleta;
- distensão abdominal;
- gases;
- sangue nas fezes durante a menstruação (em alguns casos);
- cólicas intestinais.
Como esses sintomas podem se confundir com doenças como síndrome do intestino irritável, muitas mulheres passam anos sem o diagnóstico correto.
O que é a endometriose na bexiga?
Embora seja menos comum, a endometriose também pode acometer o trato urinário.
A bexiga é o órgão mais frequentemente afetado.
Os principais sintomas incluem:
- dor ao urinar;
- aumento da frequência urinária;
- urgência para urinar;
- sangue na urina durante o período menstrual;
- dor pélvica.
Quando os ureteres são acometidos, pode haver obstrução do fluxo urinário e comprometimento dos rins, muitas vezes sem sintomas evidentes. Por isso, o acompanhamento médico é essencial.
O que é a endometriose profunda?
A endometriose profunda ocorre quando as lesões infiltram mais profundamente os tecidos.
Ela pode atingir:
- intestino;
- bexiga;
- ureteres;
- vagina;
- ligamentos uterinos;
- nervos da pelve;
- diafragma.
Nem toda paciente com endometriose profunda apresenta sintomas intensos, mas essa forma da doença costuma exigir avaliação por equipes especializadas e, em alguns casos, tratamento cirúrgico multidisciplinar.
Quais são as possíveis complicações da endometriose?
Quando não tratada adequadamente, a doença pode evoluir e provocar complicações importantes.
Entre elas estão:
Dor pélvica crônica
A inflamação contínua pode tornar a dor persistente, mesmo fora do período menstrual.
Em algumas mulheres, a dor interfere nas atividades diárias, no trabalho, nos estudos e na vida social.
Aderências
A inflamação pode formar cicatrizes internas que “grudam” órgãos entre si.
Essas aderências podem envolver:
- útero;
- ovários;
- trompas;
- intestino;
- bexiga.
Além da dor, podem contribuir para infertilidade e dificultar cirurgias futuras.
Endometriomas
São cistos ovarianos preenchidos por sangue antigo, conhecidos como “cistos de chocolate”.
Dependendo do tamanho e da localização, podem causar:
- dor;
- redução da reserva ovariana;
- dificuldade para engravidar;
- risco de ruptura ou torção, embora isso seja menos comum.
Infertilidade
A doença pode alterar a anatomia da pelve, comprometer o funcionamento das trompas e criar um ambiente inflamatório que dificulta a fecundação e a implantação do embrião.
Ainda assim, muitas mulheres com endometriose conseguem engravidar naturalmente.
Comprometimento de órgãos
Em casos avançados, a doença pode afetar o funcionamento de órgãos importantes, como intestino e trato urinário.
Situações como obstrução intestinal ou dos ureteres são incomuns, mas podem exigir tratamento cirúrgico.
A endometriose aumenta o risco de câncer?
Essa é uma dúvida frequente.
Na grande maioria dos casos, não.
A endometriose é uma doença benigna.
Alguns estudos mostram uma pequena associação entre endometriose ovariana e certos tipos raros de câncer de ovário, mas o risco absoluto permanece baixo.
Ter endometriose não significa que a paciente desenvolverá câncer.
O acompanhamento regular com o ginecologista é suficiente para monitorar a evolução da doença.
Mitos e verdades sobre a endometriose
“Cólica muito forte é normal.”
Mito.
Cólicas incapacitantes merecem investigação médica.
“Quem tem endometriose nunca poderá engravidar.”
Mito.
Muitas mulheres engravidam naturalmente, e outras conseguem gestação com auxílio de tratamentos de reprodução assistida.
“A gravidez cura a endometriose.”
Mito.
Durante a gestação, os sintomas podem melhorar devido às alterações hormonais, mas a doença pode voltar a causar sintomas após o parto.
“A menopausa pode reduzir os sintomas.”
Verdade.
Com a queda dos níveis de estrogênio, muitas mulheres apresentam melhora significativa da dor. No entanto, algumas podem manter sintomas, especialmente se utilizarem terapia hormonal em determinadas situações.
“A endometriose pode voltar após a cirurgia.”
Verdade.
Mesmo com a remoção completa das lesões visíveis, existe possibilidade de recorrência ao longo do tempo.
Perguntas frequentes (FAQ)
Qual é a idade mais comum para o diagnóstico?
Embora possa surgir na adolescência, o diagnóstico é mais frequente entre os 25 e 40 anos.
Toda mulher com cólica tem endometriose?
Não.
Cólicas menstruais podem ocorrer por diferentes motivos. A investigação é indicada quando a dor é intensa, progressiva ou interfere na rotina.
O anticoncepcional cura a endometriose?
Não.
Ele ajuda a controlar os sintomas e reduzir a atividade da doença, mas não elimina definitivamente os focos.
A endometriose pode desaparecer sozinha?
É incomum.
Sem tratamento, a doença pode permanecer estável em algumas pacientes, mas também pode progredir em outras.
A alimentação pode ajudar?
Uma alimentação equilibrada, rica em frutas, verduras, legumes, fibras e alimentos com propriedades anti-inflamatórias pode contribuir para o bem-estar e para o controle dos sintomas, embora não substitua o tratamento médico.
Exercícios físicos ajudam?
Sim.
A prática regular de atividade física pode melhorar a qualidade de vida, reduzir o estresse e aliviar parte da dor em algumas pacientes.
Quem tem endometriose pode usar DIU?
Depende.
O DIU hormonal pode ser uma excelente opção para muitas mulheres, mas a indicação deve ser individualizada pelo ginecologista.
Como conviver melhor com a endometriose?
Receber o diagnóstico de endometriose pode gerar dúvidas e insegurança. No entanto, com tratamento adequado e acompanhamento regular, a maioria das mulheres consegue controlar os sintomas e manter uma boa qualidade de vida.
Algumas atitudes que podem fazer diferença incluem:
- manter acompanhamento periódico com o ginecologista;
- seguir corretamente o tratamento prescrito;
- praticar atividade física regularmente;
- adotar uma alimentação saudável;
- evitar o tabagismo;
- dormir bem;
- controlar o estresse;
- procurar apoio psicológico quando necessário, principalmente se a dor crônica estiver afetando a saúde emocional.
Cada paciente apresenta uma evolução diferente, por isso o tratamento deve ser individualizado.
Conclusão
A endometriose é uma doença inflamatória crônica que pode afetar significativamente a qualidade de vida, mas o diagnóstico precoce e o tratamento adequado fazem toda a diferença.
Cólicas intensas, dor durante as relações sexuais, alterações intestinais relacionadas ao período menstrual e dificuldade para engravidar não devem ser encaradas como algo normal.
Hoje existem métodos diagnósticos mais precisos e diversas opções de tratamento capazes de controlar os sintomas, preservar a fertilidade e reduzir o impacto da doença no dia a dia.
Se houver suspeita de endometriose, procure avaliação com um ginecologista. Quanto mais cedo a doença for identificada, maiores são as chances de controlar sua progressão e melhorar a qualidade de vida.
Referências
- Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO). Manual de Endometriose.
- European Society of Human Reproduction and Embryology (ESHRE). Guideline: Endometriosis.
- American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG). Management of Endometriosis.
- World Endometriosis Society (WES). Consensus Statements.
- World Health Organization (WHO). Endometriosis: Fact Sheet.
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